19.2.10

Angustia compartilhada; prévia de dias tranquilos

Cópia de um scrap a uma amiga.

A coruja sarnenta que nunca vi, mas ouço e que me persegue sem fazer sombra acaba de piar. Te escrevi um calhamaço e o botão acidentalmente pressionado foi "cancelar".


Segunda tentativa:

(...)

Sim essa viagem está demorando demais, demais! Saí de Brasília planejando sair daqui terça feira!! Acontece que a coruja gostou do clima local e anda piando mais e mais alto. Pegue o lenço e leia sem molhar o teclado:

Mesmo tendo consultado alguns sites antes, só fui ler aqui que um procedimento necessário é levar a carteira de vacinação para a ANVISA e lá retirar o certificado internacional de vacinadinhos contra a febre amarela, para poder tirar o visto. E eu que achava que para me meter nesses matos de bugre tinha que levar apenas a carabina. Pois bem, tive de esperar a quarta-feira de cinzas para ir à ANVISA (sorte a minha que o bravo povo pantaneiro não se inventa feriados para detonar mais o fígado). Sorte a minha também que a simpatia do povo local não se finge em esteriótipos, que, aliás, sobre os daqui nem existe. Não trouxe carteirinha nenhuma e o gentil funcionário aceitou expedir um documento baseado em um papel A4 com pequeno conteúdo impresso em qualidade "rascunho" de uma impressora inkjet. Ah! Sorte (veja, disse sorte três vezes!) a minha também que resido na mais verde e colonial coffs cidade do DF e os sobradinhenses que tociam e não haviam se vacinado após um surto de macacos encontrados mortos em 2008 eram colocados em quarentena. Se não estivesse vacinado, teria de esperar ainda dez dias.

Mas então, tive sorte, não esperteza. Na mesma quarta-feira fui para a fronteira. Prioridades? MUAMBA. Fui ao shopping da Zona Franca e, céus, estava tudo caríssimo! Só bebida compensava... As 51 de outros países que no Brasil são caras (José Cuervo, Absolut Vodka...) lá são 20 mangos. Mas só! Um baralhinho de Uno - da Grow mesmo! - tava 9 doletas (18 pau). Rumar, seguir em frente, tocar o barco? Jamais! Fiquei passeando entre as prateleiras e comentando alto "isso aí no Mercado Livre e com frete é bem mais barato. Nossa, economizaria uns 30 reais e ainda daria dinheiro a brasileiros" (como se os donos das lojas lá não fossem rs). Saí e fui pra feira. Lá as coisas estavam mais em conta. Mas ninguém aceita cartão e a cotação do "dólar boliviano" é de dos reales pra cima. Comprei meu mochilão, mas já me arrependi. Veja só, paguei muito barato.. 38 reais (2 reais pechinchados) e tô com receio de ela se desmanchar no meio de uma ferroviária e chover gente em cima dos meus pertences (*bate na madeira*). Comprei também um Mario lindo. LINDO! 15 cm, mais de um quilo, muito bem pintado. Vai ficar lindão no meu quarto novo. Por fim, fui na ferroviária, mas bolivianos têm uma forte consciência de classe e não dão vantagem a patrão. Tudo fecha nunca depois de 16h55 e já eras.

Quando eu chego em casa... surpresa. Bem, o que dizem as rosadas crianças corumbaenses quando lhe perguntam "O que queres ser quando crescer, pequenino?". 11 em 10 diriam "Policial federal, para matar boliviano na fronteira". É CLARO! Havia três lindos Marios na prateleira. Dois baseballers - um atacante e um defensor - mas, uma vez que não rejubila-me tal qualidade de atividade grupal, escolhi o meu: simple and straight. Mas quando chego em casa descubro que ele é muito mais legal. Vem com um cogumelo vermelho em uma das mãos. O lojista deixou ele numa posição que nem faz falta, mas como despensaria o cogumelo? Ensaiei minha masculinidade frente ao espelho e no dia seguinte fui requisitar o que é meu.

Acordei atrasado, saí de casa esquecendo e a carteira e tendo que voltar, e quando chego no ponto de ônibus para tomar caminho a fronteira, descubro que (ao contrário dos anos anteriores) não se pega mais o carro rumo à Bolívia na rodoviária. Não tinha comprado cigarros, e os cigarros bolivianos que custam, escuta, UM REAL (1,50 nas noites de carnaval) são intragáveis. A moça na parada disse que o ônibus demoraria ainda uns 15 minutos, mas quando dobrei a esquina ele passou. Sorte que o tráfego é intenso e, embora uma viagem de táxi por duas quadras em Corumbá custe 10 reais (preço padrão), os vinte quilômetros que nos levam à fronteira nos tiram apenas 5 - e com motorista brasileiro. E então. Faltando 1 hora pra sair o ônibus fui, carregando 10 kg nas costas, debaixo de um sol de 40 graus, que, ao atravessar a ponte fronteiriça viram 42, pra loja onde havia comprado o Mario. O vendedor disse que veio assim mesmo da China e me mostrou todos os outros Marios sem "cabecitas". Tinha só um Toad no balcão, mas que sentido faz um Mario segurando um Toad? Nenhum. Prefiro fazer um (cabecita) de sabonete. Fui atrás da doleira, ainda - item mais importante depois do mochilão que havia esquecido de procurar no dia anterior - e não achei nada. Peguei um taxi pra ferroviaria e a corrida de 10 bolivianos me custou 5 reales (40 BOLIVIANOS) porque a burra da minha prima disse que "era o preço" (sendo que depois ela disse que se enganou e "o preço", na verdade, era de Corumbá até a ferroviaria, em taxi boliviano). Fui ainda trocar meu dinheiro pela moeda local e já cheguei na ferroviária faltando 15 mins pras 17, sendo que o trem que eu queria saira às 16:30. Comprei a passagem (ouvindo do bilheteiro que estava sem troco "troca você") para amanhã, às 12h45. Olha que merda, esse trem demora muito mais. Chega no mesmo horário que o das 16, mas sai quatro horas antes. Espero que haja alternativa ao assadito de pollo e que a turma seja animada e cante lindas canções.

Pois é... já vou chegar três dias atrasados, o que é muito pra uma viagem. E sem produtividade nesse tempo. Torça por mim, babe. Torça por mim.

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