11.12.08

Um anjo

(prometi a mim mesmo que não publicaria aqui nada que, se publicado mais tarde, por editora, embora não me rendesse um tostão, me renderia popularidade no Orkut e uma página na Wikipédia. Mas como tudo escrito nesta postagem, apesar de integralmente aproveitável para um pastelão não é de propriedade intelectual minha, me a risco a entregar de mão beijada um excelente roteiro de fundo de quintal ao público)

Homenagem tardia, mas ainda cabível, acredito, até mesmo porque não há para que se esperarem as datas arbitrárias apenas para se demonstrar carinho e blá, blá, blá.

Por esses dias, recentemente, foi aniversário de uma pessoa por quem tenho um carinho especial e repentino. Desses que você não entende o motivo do surgimento e por mais que não contamine cada esfera de sua vida, nem te faça pensar o tempo todo a respeito, lhe são especiais. Trata-se de uma pessoa tão rara que tropeça em sua ingenuidade, sem, no entanto – e é assim que engana e engana bem! –, ser uma completa tapada, com quem se pode fazer o que bem se entende. Ah! não mesmo. (momento intervenho no “about me” da amiga e acho ela tudo)

Seus tropeços certamente deixam a minha vida menos amarga (oh!, baby, como sofro). Então acho muito, muito coerente fazer uma homenagem lembrando alguns desses tropeços. Não os mais clássicos porque minha memória é de plástico e logo os detalhes se perdem e as coisas ficam desbotadas e perdem a graça. Lembrarei os quatro mais recentes, sendo que três aconteceram apenas neste último final de semana.



I

Ao lado de um carro azul

Estamos Fernanda, Nathália, um anjo e eu no XLI Festival de Cinema de Brasília. Um anjo, fantasiado de cangaceira, distribui panfletos que divulgam uma festa temática organizada por sua turma que estuda cinema. A fim de ampliar o raio de distribuição da divulgação, ela empresta seu carro a um colega semi-desconhecido (sic), que vai panfletar em algum lugar mais distante. Terminado o serviço, o tal colega volta com o carro, lhe entrega as chaves e dá as coordenadas de onde o deixou.

Mais tarde um anjo precisa do carro para buscar seu irmão em algum lugar distante. Onde estará seu carro? Tenta, então, entrar em contato com o colega semi-desconhecido (sic). Sem sucesso. Saímos em sua procura com aquela sensação de aventura que flui em meio aos órgãos que preenchem o tórax.

− Ele disse: "está estacionado ao lado de um carro azul".

"Ora, mas que descrição insuficiente!", reclamamos. Afinal, estamos no XLI Festival de Cinema de Brasília. Logo, em meio a um número interminável de carros azuis! E carros azuis deixam suas vagas, que são ocupadas por carros pretos, pratas, brancos, vermelhos, verdes, amarelos ou tunados.

Munidos daquele mesmo espírito aventureiro, que massageia e cocega os órgãos que preenchem o tórax, nos dividimos e partimos em procura do carro de um anjo.

Voltamos a reclamar: “mas a culpa é sua! Como assim se satisfaz com descrição tão pífia?!”.

Após uma busca que não respondeu aos anseios de aventura, mas ainda assim uma busca longa e cansativa, eu o encontro, como esperado, sem a companhia de qualquer carro azul. Há, no entanto, uma van escolar verde a duas vagas de distância. Um anjo pergunta:

− Qual é a cor daquela van?

− Verde − eu digo.

− Será que ele se referia a ela?

− Não. Certamente não. Bem, há uma caminhonete enorme ali. E tem um toldo azul maior ainda a cobrindo. Ele se referia a um toldo azul.

− É verdade. Acho que ele falou sobre esse toldo mesmo.


As próximas três aconteceram praticamente seguidas num intervalo de três dias.



II
O modelo da Blue Space

Em uma noite de sexta-feira, um anjo bêbada pega um flyer que divulga uma festa de réveillon na boate Blue Space, cuja estampa ilustra a foto de um modelo (clique aqui para ver o modelo), e pergunta "com quem você acha que ele se parece?".

eu: Quê? Sei lá... ninguém.
ela: Certeza?
eu: Uhum...
ela: Se parece com alguém sim.
eu: Hmm... não sei... lembra bem de longe o Kaká. É dele [que você está falando]?
ela: Não... se parece com o Caio.
eu: Me passa essa garrafa, Alanna.



III
Um gesto indelicado

Estamos um anjo e eu no Espaço Galleria no dia mais lotado e apertado de sua história(!), dançando perto um do outro. Muitas pessoas vão se colocando entre a gente, passam, mudam de lugar e aos poucos nos separamos. Vendo que um anjo já está bem distante, em um gesto de ironia, dou um "tchauzinho".

Percebo que ela está realmente cada vez mais longe, até sumir de vista. Uma hora realmente não a vejo mais e penso: "marota, está se pegando com alguém". Continuo a dançar no meu quadrado e, quando vão sortear um ingresso do show da Madonna, saio a sua procura, me mordendo e roendo de curiosidade para saber quem é o seu par. Me deparo com um anjo de braços cruzados, acompanhando pacientemente a demora do sorteio e digo: "é... foi longe, hein?!".

Um anjo me diz: "ora, você fez sinal pra eu me afastar!".



IV
Festa

Vamos construir esta história aos moldes do método científico:

Primeiro as evidências empíricas:
* Exalando seu espírito mais “bichinha”, um anjo me chama pra ir com o Zé e o Digo Torres à Festa da Lili (*vergoinha*) no sábado; mas também quer ir ao Espaço Galleria na sexta-feira. No entanto, tem que se decidir entre um ou outro, pois se mete com agiotas e perde dinheiro à toa.
* Recebo intermináveis convites para ir à festa "It's Britney, bitch" que marcou o dia mais lotado e apertado da história do Espaço Galleria naquela sexta-feira. Apesar de per si tender a ser uma roubada, desta vez me pareceu ser uma boa pedida, então voto em irmos à tal festa.
* Vamos.
* Lá encontramos com Nathália.
* Um anjo se satisfaz muito bem com vinho barato, assim se embriaga e vive em cada minuto da noite êxtase e alegria.
* No fim da festa, restam no ambiente ela e a moça da limpeza.
* No dia seguinte, um anjo me liga e diz: "não tenho grana pra ir à Festa da Lili :/, mas o Zé me chamou para ir a uma festa que vai ter no Teatro Dulcina. Você não quer ir? Parece que vai ser de graça! Não, não vai ser de hip-hop, não. Vai ter Telma & Selma".
* Pensando no arroubo underground ilustrado por filmes de José Eduardo Belmonte que deve ser uma festa com Telma & Selma no inferninho do Teatro Dulcina – ainda por cima de graça e não divulgada – quase desisto de ir à Festa da Lili. Mas foi um anjo quem me falou a respeito, então prefiro não me arriscar. Por não ter conseguido comprar antecipadamente o ingresso, e pelo fato de eles ficarem ainda mais caros após meia noite e meia, desisto da possibilidade de ao menos passar por tal festa antes de partir definitivamente para a Festa da Lili.
* Faço uma varredura na Internet. Não acho absolutamente nada sobre Telma & Selma no Teatro Dulcina neste dia; muito menos de graça. Penso que talvez seja porque se trata de uma festa realmente underground. Mas foi um anjo quem me falou a respeito, então desconfio.
* Ela não me liga para dar mais informações sobre a festa.
* No entanto, ela liga para a Nathália perguntando como se faz para chegar a uma determinada QL do Lago Sul. O Teatro Dulcina fica no CONIC.
* Vemos o Zé na festa.
* Finalmente, um anjo me diz do dia seguinte que foi na noite em questão a uma festa dada por colegas de seu curso.

Explicações causais:
1) Zé: "Oi, um anjo, tudo bem? Fui a uma festa ontem e Telma & Selma estava tocando. Foi legal até, mas estou numa ressaca brava. Vamos hoje ver uma peça no Dulcina? Vai ser de graça. Beijos :)".
2) Zé: "E aí, como vai? Fui no salão da Telma & Selma loira hoje cortar o cabelo. Ficou bem legal... mas acho que você já me viu assim antes, naquela festa do Dulcina. Se lembra? Vou tantas vezes lá que qualquer dia viro cliente VIP e eles me fazem o corte de graça...”.
3) Zé: "Oi, um anjo. Vi um monólogo lindo no Dulcina hoje. O nome da atriz é Selma ou Telma alguma coisa... Muito boa! Pena que já está saindo de cartaz :/ Estou pensando em dar outra daquelas festas que já fiz lá em casa, sabe, grátis e tudo mais."
4) Ad infinitum

Explicação estrutural:
Se trata de um anjo.




Por que um anjo? Na verdade não sei. Nada do que me resta na memória sobre o cristianismo me traga alguma lembrança do que de fato significavam os anjos, muito menos tenho ciência do que são os anjos em outras religiões. Bem, na verdade lembro que um anuncia a gravidez da virgem, outro pisa na cabeça do demônio que nunca morre, e têm mil outros que te acompanham na vida, mas nas horas necessárias lhe são omissos. Mas a definição exata, “nomológica” de o que é um anjo eu não sei. Então apelemos ao corriqueiro: anjos me lembram esta certa "ingenuidade astuta", ao mesmo tempo em que não exala a reprovável (haha!) "aura" densa e constante de sexualidade a qual todos os meus outros queridos exalam. Todos. Por isso cabe sim.
Cabe sim "um anjo".

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Mais do mesmo

Agora as expressões que mais ouvi no ano:

"você ainda não..."
"o que você vai fazer hoje a noite?" Bontempo, N.

Os mujiques (cont.)

O interessante é que consegui manter relacionamentos bastante saudáveis e (embora não igualmente) afetivos no mesmo esquema, sem esses interesses compartilhados. Talvez seja porque a convivência não é tão rotineira e maçante quanto.
Talvez seja porque também tenham sido meramente instrumentais.

Os mujiques

Acho que assimilei de uma vez por todas uma lição que me vem sido ensinada há pouco menos de dezenove anos. Eu não tenho mais por que criar expectativas sobre a minha família. É uma relação de afinidades tão, tão, tão instrumental, que me surpreende o fato de de fato haver alguma afetividade. E há muita. Uma pena que o amor precisa ser traduzido em boa convivência, em programas compartilhados, em conversas interessantes. É impossível criar, concluo de uma vez por todas, expectativas em relação a isso. Penso sinceramente em tentar concretizar isso, então, em tatuagem. Por um lado é uma linguagem rasa, por outro a mim pode ser significativa. Acho que acaba resolvendo o problema de ambas as partes.

10.12.08

Mantra

Expressões mais repetidas no ano:

"deveria..."
"dei mole..."
"poderia..."
"merda, eu não..."

Sábado de sol


Atenção, este evento já passou! Mas é bom que fique registrado.
Aliás, foi muito bom :) avisarei sobre o próximo radicalmente.

Muito bem, Letícia ;)


(clique na foto para vê-la direitinho)

9.12.08

HELLO

How are you? i hope all is well with you, i hope you may not know me, and i don;t know who you are, My Name is Miss Caroline i am a girl just browsing now in and saw your profile and it seams like some thing touches me all over my body, i started having some feelings in me which i have never experience in me before, so i became interested in you, l will also like to know you the more,and l want you to send an email to my email address so l can give you my picture and for you to know whom l am.Here is my email address I believe we can move from here! I am waiting for your mail to my email address above. Miss Caroline (Remember the distance or color does not matter but love matters allot in life)
Agora me sinto um garanhão de primeira.
Obrigado, Miss Caroline.

Você extendeu minha juventude.
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Treze anos

Oh these little rejections how they add up quickly
One small sideways look and I feel so ungood
Somewhere along the way I think I gave you the power to make
Me feel the way I thought only my father could

Oh these little rejections how they seem so real to me
One forgotten birthday I'm all but cooked
How these little abandonments seem to sting so easily
I'm 13 again am I 13 for good?

I can feel so unsexy for someone so beautiful
So unloved for someone so fine
I can feel so boring for someone so interesting
So ignorant for someone of sound mind

Oh these little protections how they fail to serve me
One forgotten phone call and I'm deflated
Oh these little defenses how they fail to comfort me
Your hand pulling away and I'm devastated

When will you stop leaving baby?
When will I stop deserting baby?
When will I start staying with myself?

Oh these little projections how they keep springing from me
I jump my ship as I take it personally
Oh these little rejections how they disappear quickly
The moment I decide not to abandon me
Morissette


Sim, uma bostinha. Mas as coisas são assim mesmo.
Depois posto alguma coisa interessante.

Para... não, não consigo.
Treze anos, se lembra, baby?
Ok, em alfabeto persa:

Para اِب
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Sinal aberto

Ser um "Júnior" tem suas vantagens. Li um anúncio de que a NET, neste fim de ano, estaria abrindo o sinal de toda a sua grade de programação aos seus assinantes. Para ter acesso aos canais "adultos", no entanto, o assinante teria de ligar para a central de relacionamento e solicitar a liberação do sinal.
Bem, não menti meu nome para a moça do atendimento, o que me redime alguns pecados, nunca se sabe. Mas no final das contas percebi uma coisa que já há algum tempo não mais me incomodava, porque passava ao largo desse tipo de coisa: pornografia mainstream é uma merda!
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Os lenhadores não existem na vida real

Meu coelhinho fugiu na madrugada sexta para sábado e ainda não apareceu. Hoje eu sonhei que minha cachorra, bem mais forte e gorda do que o habitual, correu por um prado alto e seco e resgatou o Ray pela boca; inteiro, apenas um pouco babado.

Mas foi só um sonho. Os lenhadores não existem na vida real.


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Like a star























Não vai ao show da Madge, bee? O dólar tá alto, o baú das sacoleiras tá lotado, não tem mais vaga em pousada na Brasilândia? Não foi sorteada no Espaço Galleria, nem comprando em 10x na Renner e tá desesperada? Ainda não! É só entrar aqui: www.nokia.com.br/100ingressos, ler tudo direitinho e mandar ver, ops, digo, arrasar :D mas vai logo porque já tá acabando.

VOA BEEEEEE!
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8.12.08

Bemühung:

  • Weisheit #1: Es ist angeboren. Loslösung von emotionalen Gütern.
  • Weisheit #2: Die Fallstricke des Lebens setzt fort. Loslösung von materiellen Gütern.
  • Weisheit #3: Befestigung zum Rücktritt, Pornografie und Zigaretten. Oder Loslösung von Leben.
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Só não sou bonito e popular


Quando estou na pior, fico tipo a Lily Allen. Adoro desabafar no meu diário virtual, escrever músicas mandando recados para namorados, ex-namorados, faço a maluca e saio pelada na rua e me sinto derrotada facilmente. Tenho que sair dessa, gente!

Qual celebridade você é quando está na pior?


Tipo isso mesmo. A diferença é que não sou bonito, popular, nem saio pelado na rua. Mas cada gongada simbólica (porque impeço que elas aconteçam em nível empírico) é uma coitadisse em alemão ou alfabeto persa, dizendo que sou mesmo gordo uó e que mereço isso ou a parede.

Pong

Ping, pong
Ping, pong
Ping, pong

ah! quem me dera!
é apenas:

Pong
Pong
Pong
Pong
(...)

Direcionado a algum tipo de teia ou imã.
Eu que me desvio para a parede.
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Argh.. pequena. Vai no twitter: twitter.com/hoehepunkt
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Um sonho

Sonhei com a Rafinha.

Rafinha: ...


merda, esqueci. Sei que tem a ver com uma crítica ao materialismo histórico. Mas, merda! Esqueci. Depois eu posto com algumas coisas que inventar na hora.

MERDA ESQUECI!
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shorei

há uma nuvem de lágrimas sobre os meus olhos
dizendo pra mim que você foi embora
e que não demora; meu pranto rolar...
eu tenho feito de tudo pra me convencer
e provar que a vida é melhor sem você
mas meu coração não se deixa enganar...

vivo inventando paixões pra fugir da saudade
mas depois da cama, a realidade
essa sua ausência doendo demais...
dá um vazio no peito, uma coisa ruim
o meu corpo querendo seu corpo em mim
vou sobrevivendo num mundo sem paz...

Ahh.. jeito triste de ter você
longe dos olhos e dentro do meu coração
me ensina a te esquecer
ou venha logo e me tire dessa solidão...

shorei

Para J.J.
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Justificativa

Por pontos:
  • Quis ser retrô
  • Sinto falta da rotina. E pensei... e agora, onde está minha rotina?
  • Deve ser por isso, então. Tem a academia, mas logo vou operar de novo(... então sem academia). Tem o cursinho de francês on-line, mas o desprezo.
  • Então essa aqui é minha nova rotina.
  • Mas se minha vida não tem mais rotina, ela não tem mais conteúdo... então qual pode ser o conteúdo?
  • Não, não... não vou disponibilizar ao público os germes da minha publicação artística. Se jamais terei a garantia do copyright, que ao menos tenha uma página na Wikipédia antes de sugarem a minha produção sem me pagar um tostão e... tá, tá, menos.
  • Então as firulas que posto no meu scrapbook e que se afogam em meio a fofocas, cobranças de "faça isso na Socius!" e outras trivialidades (RSRS) ficaram aqui; para a eternidade.
  • Porque não cabem no twitter (@hoehepunkt).
  • E, de quebra, ganho uma nova rotina.
  • E ela pode se perpetuar até eu reaver minha rotina.
  • E ficaremos assim: produza, leia, faça, ensaie, cobre isso para amanhã. E atualize o blog. E terei mais martírios.
Beeeijos
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